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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Entrevista: Delittus


Quando resolveram nomear seu primeiro álbum, ainda vindouro naquele momento, como "Resistência", a Delittus não imaginava que essa palavra seria tão significativa para a história da banda. Em um cenário musical que muitas vezes é fantasioso para quem está começando, Burn Eidelwen (guitarra), Fell Rios (bateria), John Menger (vocal e violão) e Thiago Tavares (baixo) conhecem muito bem o outro lado da história.
Depois de anos de estrada, mudanças na formação, e muita experiência adquirida, a banda tenta garimpar o seu espaço entre os grandes do rock nacional e, apesar de o caminho ser árduo, disposição e competência não faltam para os caras. Com seu CD lançado em 2011, a banda já acumula três videoclipes e oito fã-clubes, o maior deles de Guarulhos/SP. Os músicos moraram por algum tempo na capital paulista, mas ao assinar contrato com a gravadora “Antídoto”, responsável pelo lançamento de grandes nomes do rock sulista como Reação em Cadeia e Tequila Baby, retornaram para o sul na promoção do novo álbum.
A banda esteve recentemente em turnê pelo sudeste brasileiro, mas antes disso, os caras bateram um papo com o Refúgio no Holiday Estúdio Pub, em Sapucaia do Sul, pra falar sobre novo videoclipe, novo integrante e velhos perrengues do mundo do rock.


Como foi o tempo que vocês moraram pelo sudeste? Há uma base de fãs tão grande quanto aqui?
Foi uma experiência maravilhosa. Passamos muitas dificuldades quando chegamos em São Paulo, mas aprendemos muito. Na verdade, a gente foi lá pra fazer um show apenas, mas acabamos ficando no apartamento de uma produtora que trabalhou com a gente e foram nos mandando as malas aos poucos por correio. No início, ficamos assustados com a imensidão da cidade e com a repercussão que uma banda pode ter lá. Fizemos muitos amigos, muitos contatos e muitos shows, isso fez com que a Delittus criasse uma base de fãs muito forte na região. Posso dizer que a banda tem mais fãs em SP do que no RS, mas isso está mudando. Estamos focados em trabalhar aqui também e nosso trabalho está se espalhando.
 
Vocês acabaram de lançar o 3º videoclipe da banda, da música "Sem me arrepender". Quais são as principais diferenças que se pode notar entre os clipes? Não apenas no aspecto visual, mas também no de produção.
Acho que cada novo clipe é uma evolução, assim como tudo na vida. Sempre aprendemos com as novas experiências, e isso é bem visto no novo clipe de "Sem me arrepender". A produção foi um pouco maior do que os outros clipes, com mais locações, grua, roteiro mais complexo. Algumas pessoas podem não ter percebido o que quisemos passar, mas a história é de um casal que se apaixona e o homem tem que se afastar por descobrir que está com AIDS, o que o levou a cometer suicídio. A imagem da banda, em cada clipe, reflete o que vivemos no momento. Nos vestimos como realmente somos nos clipes. Não precisamos buscar ser quem não somos. Acho que quando a banda começa a pensar assim a repercussão vem automática. No dia do lançamento do clipe de "Sem me arrepender", ficamos em primeiro lugar nos TT's do Brasil no twitter com a tag #NovoClipeDelittus e o vídeo está se espalhando cada vez mais.
 
Quem dirigiu e produziu o clipe?
O clipe foi produzido e dirigido por Edson Gandolfi, Rodrigo Gandolfi e equipe da Musicollege (produtora de Canoas).
O roteiro foi criado pela Delittus e pelo Edson.
A atriz é a carioca Natália Magalhães.
 
Como foi para a banda mudar de vocalista? Como os fãs receberam essa mudança?
Burn – Quando “tiramos” o vocalista, nós não tínhamos mais clima, não nos dávamos mais bem na banda e isso complica muito. Uma banda tem que ser uma família, tem que ser todo mundo unido. Quando tem um fora do barco as coisas já não dão mais certo, elas só tendem a cair. No começo é sempre difícil, mudar de vocalista é muito complicado porque realmente é o frontman da banda, é o que o público mais vê, mas a galera aceitou muito bem. Claro que tem gente que conhece a banda e no começo se apavorou com a mudança, mas isso é normal com qualquer mudança de qualquer banda e qualquer integrante. Nós continuamos trabalhando, ensaiando, sempre procurando melhorar. Foi uma coisa que aconteceu. Às vezes na vida as coisas acontecem repentinamente, elas têm que acontecer para nós seguirmos em frente.
 
Quais as principais diferenças que vocês percebem da banda antes e agora?
Fell – Não dá pra desdenhar o que já tínhamos feito, mas a banda não era nada ainda. Tínhamos um EP na internet e tinha meia dúzia de fãs que curtiam. Só que internet, apesar de ser uma coisa que movimenta muito o mercado, é uma grande mentira. Não adianta ter 100 mil views no youtube ou então 20 mil plays na tua música no myspace, isso não quer dizer que são 20 mil pessoas que ouvem o teu som. Nós éramos uma banda de internet que se destacava um pouco, fomos fazer show em São Paulo, tínhamos um clipe legal, mas a banda não tinha mais pra onde subir, pelo fato de que a banda não tinha mais clima interno, nada mais era criado, as coisas eram todas travadas. A gente não conseguia mais compor, não tínhamos mais pra onde ir, e chegou uma hora que a gente teve que sentar e escolher “E aí? Nós vamos acabar a banda? Vamos desistir e cada um vai pro seu lado? Ou nós vamos juntar a parte boa, tirar o que está incomodando e o que está nos fazendo ir pra baixo e tentar evoluir para outro lado, deixar a coisa mais livre?”. A partir daí a evolução da banda foi gigante, mas pessoalmente foi muito maior e isso refletiu nos números, e os números são o quê? Uma assinatura com gravadora, CD nas lojas, fazer turnê em rádio, ter shows em estados que a gente nunca visitou, entrevistas, aparecemos em TV, MTV pela primeira vez, coisas que a gente plantou e colheu depois que houveram as mudanças boas.
 
Em que sentido as mudanças influenciam no processo criativo das músicas?
Fell - Hoje a banda tem uma liberdade imensa para poder sentar e dizer “não gostei do que você está fazendo”. Acho que o jeito certo é esse, então hoje a galera conversa, discute, às vezes até briga, mas chega num consenso. A gente discute em todos os ensaios, com o Tavares que é o mais novo da banda, o John e eu discutimos, mas a galera nunca briga de uma forma que vá perder a amizade. A gente está aqui trabalhando, então a gente vai brigar pra coisa ficar muito boa, agora a hora que sair da porta do estúdio, nada mudou. O John e eu moramos juntos há muito tempo já, então a gente convive todos os dias e sabemos separar essa parada.

John - Já aconteceu de o Fell e eu discutirmos num ensaio em que alguns amigos estavam, a galera ficou apavorada, aí a gente saiu, sentou pra tomar uma cerveja e começou a rir. Acho que é aquele lance “amigos, amigos, negócios a parte”.

Burn - Nós crescemos muito mais musicalmente, nos damos muito melhor nas composições. Antes nos fechávamos um pouco e hoje temos muito mais liberdade pra compor junto, acho que a banda cresceu mil vezes depois da saída do outro vocalista e externamente a banda ficou muito mais conhecida.
 
E como foi a entrada do Tavares (baixista) para a banda?
Fell – Depois que o Lucas saiu pra investir num projeto eletrônico nós resolvemos mudar o baixista da banda, fizemos até fotos de divulgação, só nós três, mudamos no site, porque a ideia não era colocar outro integrante. Fizemos shows com outros baixistas só de apoio, mas surgiu que o Tavares conversava com o Burn pela internet, ele estava sem banda, queria fazer um teste e a gente aceitou. Acabamos curtindo a ideia de colocá-lo de integrante pelo fato de ter mais um alicerce na banda, porque é difícil manter uma banda com três pessoas, então pensamos que se o cara fosse legal realmente, com vontade de fazer as coisas acontecerem, não teria por que deixar o cara como apoio, se ele quer se empenhar e quer vestir a camisa e fazer a coisa acontecer, assim como a gente, vamos dar uma chance. Musicalmente a gente começou a se entrosar, hoje a gente conversa, tem as brigas de mudar arranjos e as linhas, mas a gente sempre consegue chegar num consenso. Isso é o bom de ter quatro integrantes de novo, integrantes que tu dá opinião e que não se ofendam. Está rolando legal, a gente está bem feliz com o resultado e com as influências que foram dadas à banda, de coisas mais pesadas, que até então nós ainda não tínhamos pensado muito nisso.
 
Pra uma banda decolar, o apoio é muito importante. Vocês estão na estrada há um bom tempo e já são uma grande referência em meio à cena. Como foi quando vocês estavam começando, e até hoje?
Fell – Esse é um assunto delicado. Eu sou um cara que sempre ajudei todo mundo que pude no meio musical, mesmo quando eu não tinha como, mas sempre tentei ajudar de alguma forma. A cena hoje no RS, em geral, está bem melhor do que na época em que a gente foi morar em SP. Hoje tem a galera da Sevenaid que é parceira nossa, tem as bandas de Novo Hamburgo que a gente conhece uma galera, a Voraz, a Foux DS, a Reach, uma gurizada que está começando. A gente sempre apoiou de todas as formas, por ter mais experiência e sempre que tivemos show na região trazemos as bandas pra abrir o show, pra galera conhecer, mostrar o trabalho, e é uma coisa que a gente não recebeu. Desde o início, quando só tinha a Reação em Cadeia em Novo Hamburgo, a gente nunca recebeu apoio nenhum, então o certo seria de “nunca recebemos ajuda, não vamos dar ajuda pra galera”, mas eu nunca vi por esse lado, porque eu acho que o que tu planta tu vai colher. Então eu ajudo no que eu posso, muitas vezes ajudo mais do que deveria e às vezes a gente se decepciona com isso porque o mercado de bandas é uma coisa muito competitiva, às vezes um está com “TPM”, outras vezes quer passar por cima do outro, isso acontece muito, e tu não pode ser muito ingênuo também. Tu tem que ajudar, mas cada um sabe o que é melhor pra si, eu acho que eu ajudando eu vou receber isso de alguma forma, mas tem muita gente que não ajuda, tem muita gente recebe ajuda, mas não dá ajuda, muita gente que recebe ajuda e é ingrato, mas é da vida, as coisas acontecem assim e acho que tem que fazer cada um o seu.
 
Como vocês veem a relação da música com a internet?
Tavares – Muitas vezes a internet é uma parada que te ajuda, mas também pode te prejudicar, às vezes as bandas acham que botar uma foto legal, fazer um site bacana, vai te dar um pontapé inicial, só que muitas vezes as bandas têm ajuda de músicos pra gravar o som. E o que acontece? Você grava tua música, “tudo é lindo, foto bonita”, e na hora de executar isso ao vivo, acabou a banda. Assim como a internet te ajuda, ela te derruba também, tem que ter muito cuidado. Não adianta tu gastar uma grana violenta, pagar os caras pra gravar pra ti e tu não conseguir executar isso depois. Então tem que abrir o olho nessa jogada, não adianta querer dar uma enganada.

Burn – Acho que no mundo inteiro, por causa da internet, as bandas tenham se prostituído um pouco e às vezes a qualidade compromete, sinceramente é complicado, muitas bandas me mostram o trabalho e poucas eu paro pra ouvir e gosto porque a galera se afoba muito, acho que pela facilidade de ir num estúdio gravar, porque hoje um home studio tem uma qualidade monstro. Vai lá, grava, põe na internet, grava um clipe, que hoje em dia tá baratíssimo, e já se lança e acha que tá disputando com outras bandas que têm mais experiência e que têm uma base de fãs e acabam prostituindo um pouco o mercado. Os contratantes veem isso e acabam pegando uma banda que não tem experiência nenhuma e pagam uma grana massa pra banda, beleza, só que às vezes poderia trazer uma banda melhor, ter uma estrutura de show melhor, agradar mais o público. Então acho que as bandas têm que pensar um pouco, têm que se estruturar melhor antes de lançar qualquer coisa. Estuda música, faz o que tiver que fazer, procura opiniões externas, procure opinioes de músicos mais experientes, e ve que tá preparado e que pode lancar porque senao vai se queimar porque mesmo se um dia melhorar e estiver em outro patamar vai ter aquele passado que vai queimar um pouco, mas todo mundo tem seu passado, né?
 
Que dica vocês podem dar para quem está iniciando?
Burn – A dica que eu tenho pra dar é que as bandas, mesmo que tenham dinheiro pra investir, que se estruturem antes, que estudem e que melhorem musicalmente, antes do visual, e depois disso queiram aparecer.

John – Tem que entender o seguinte, se tu quer ter uma banda, ela vai ser realidade, não vai ser uma coisa fictícia. Não adianta tu pagar uma produção foda, na internet vai bombar de visualizações, chega na hora não é aquilo. Números de internet não vão fazer a tua banda crescer. Se não tiver um público fiel pra seguir teus shows, tu não vai a lugar nenhum, então não adianta, tu não pode viver de imagem e de ilusão, achar que porque a banda tem 200 mil views, tem programas que fazem gerar views na internet, a quem a galera quer enganar? Isso não leva a nada. Eu sei, porque já tive esse pensamento também, eu pensava em impressionar, mas não adianta ter 500 mil views no youtube e o teu show ser uma merda. Então se você quer ter uma noção de onde quer pisar, tem que ter a noção que não é errado ser ruim, mas tem que saber quão ruim você é e o quanto pode melhorar. “Mentir pra si mesmo é a pior mentira”.
 
Quais são as perspectivas para este ano?
John – Hoje mesmo a gente finalizou as gravações do clipe novo e a gente já está há uns 4 meses ensaiando o CD novo. Estamos fazendo com muita calma, as coisas estão fluindo de acordo com o seu tempo e creio que no início do segundo semestre a gente já entre em estúdio pra gravar mesmo. A gente está em processo de composição e o foco é esse, gravar o CD novo. Até porque o “Resistência” é bastante novo pra galera, mas pra banda já é uma coisa bem antiga e a gente está compondo coisas novas e tem vontade de tocar as coisas novas. Até esses dias num show aqui no Holiday, em Sapucaia, do nada a gente tocou uma música nova porque a gente tava se coçando pra tocar essa música que, na verdade, nem era pra ter tocado, mas a gente não vê a hora de mostrar pra galera. Então é o encerramento de um clico, do “Resistência”, que eu acho que foi uma época muito boa pra gente. Eu nem esperava tanto do CD, sendo o primeiro CD da banda, e ainda em processo de formação, e agora trocou de novo, e esse vai ser o primeiro CD que a banda inteira participou do processo de composição, que a gente fez tudo junto, então o CD é muito nosso. Então é por isso que a gente está tão ansioso por mostrar isso pra galera. Acho que vocês vão curtir o resultado final. Creio que até o final do ano a galera vai poder até curtir o clipe desse próximo álbum, ou 2, quem sabe, 4, 5...


Assista ao novo clipe da banda "Sem me arrepender":



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