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sábado, 12 de maio de 2012

Entrevista: Paulo Biscaia Filho

Está em andamento, desde o dia 4 de maio, a oitava edição do Fantaspoa – Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre e nós não poderíamos deixar o maior festival de cinema alternativo da América Latina passar em branco para os nossos leitores. Portanto, a partir de hoje, trago-lhes um especial sobre o festival com entrevistas de algumas figuraças que passaram e ainda vão passar por lá.
 
Para abrir os trabalhos, o cineasta e dramaturgo paranaense Paulo Biscaia Filho. Ele é professor dos cursos de teatro e de cinema da Faculdade de Artes do Paraná e já recebeu o Troféu Gralha Azul - principal premiação do teatro paranaense - por suas peças “Graphic” e “Morgue Story”, esta última posteriormente virando filme. Seu mais novo longa-metragem “Nervo Craniano Zero”, adaptação às telas de sua própria peça, de 2007, abriu o festival deste ano em sessão comentada pelo próprio. Confiram a entrevista com o cara:

 

O que lhe motivou a tornar-se cineasta?
Minha resposta é específica até demais pra isso. Aos 13 anos vi um making of de "Caçadores da Arca Perdida" e me deu um estalo de que era aquilo que eu queria fazer na vida.

Qual a maior diferença entre escrever um filme e uma peça de teatro?
Conhecer a mídia. É bastante óbvio isso, mas em um você se preocupa com a forma como o ator vai dizer o texto na encenação e em outro e em como vai ser isso no enquadramento. São mídias que se tangem, mas são ao mesmo tempo bem distintas. Localizar os pontos desta distinção é a diferença. No entanto, assumir o teatral muitas vezes pode ser a melhor saída para a adaptação às telas.


Do que se trata o "Nervo Craniano Zero" e qual o maior desafio ao adaptar a peça ao cinema?
O filme fala de uma experiência com um chip indutor de criatividade que de quebra acaba dando vida eterna ao portador. Claro que com consequencias graves. Neste caso, ao contrário de Morgue Story, meu primeiro filme, não queria fazer uma adaptação literal. Procurei mudar diversas coisas, inclusive o final que é completamente diferente da peça.

Como foi abrir a edição deste ano do Fantaspoa? E como foi a recepção do público?

É um festival muito importante e uma honra poder fazer sua abertura neste ano. Eu estava muito nervoso. Não sabia como o público iria reagir, se eles iriam entender o jogo proposto pelo filme. No final, me surpreendi com a recepção calorosa do público.

Como você vê o cinema alternativo nacional?
Como um exército de resistência que em breve sairá do esgoto para dominar o mundo.

Qual a maior dificuldade em fazer um filme no nosso país?
Tem uns caras aí que fazem com muita facilidade. hehehe. Não é o meu caso. Seria fácil dizer que é só grana, mas não é apenas isso. Falta um respaldo do público para poder justificar o que fazemos. Muita gente ou vai com preconceito ou nem vai. O pessoal das comissões que destinam verbas para o cinema não são muito diferentes.


Você acha que os filmes nacionais conseguem "competir" com os filmes estrangeiros?

"Tropa de Elite" conseguiu. Os independentes não. A força que os gringos botam em mídia é muito violenta. Nesses últimos tempos você acorda e segundos depois de abrir os olhos já está de cara com uma publicidade dos Vingadores. A cada novo blockbuster é assim. Mal e mal conseguimos realizar o filme, quem dirá fazer publicidade. Se você está no esquema da Globo Filmes, claro que tudo pode ser mais agradável e portanto competitivo. Então não dá pra querer competir, tem que encontrar outras saídas. Com o " Nervo" farei exibições em ocupações de espaços como drive-ins e walk-ins. Vou construir o meu próprio circuito exibidor, em vez de me subjugar a um esquema de dumping de filmes nacionais.


Na sua opinião, quais são as perspectivas para o cinema alternativo no Brasil?
Encontrar saídas próprias. Não adianta querer virar o novo "Avatar" da noite pro dia. Isso não tem nada a ver com o que fazemos. Encontrar saídas criativas para produção, para finalização, para exibição. As ondas de revolução digital estão aí pra isso. Pega sua prancha e entra nessa! Exercitar a criatividade é a chave. Não apenas para o roteiro, mas para TUDO.

Serviço:

Quer assistir a filmes e ter a oportunidade de conversar com os próprios diretores? Corre para o Fantaspoa!
 
O festival ocorre todos os dias até o dia 20 com sessões às 15h, 19h e 21h15 em quatro salas diferentes da capital gaúcha: CineBancários, Cine Santander Cultural e na Cinemateca Paulo Amorim (Sala Paulo Amorim - CCMQ1 e Sala Eduardo Hirtz - CCMQ2). 

Para mais informações e programação completa acessem a página do Fantaspoa.

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